segunda-feira, 1 de junho de 2015

Brasão da Família Coutinho

O sobrenome Coutinho vem da palavra couto que na Idade Média era como chamavam as regiões imunes aos impostos e a justiça real, os coutos eram concedidos pelo Rei em gratidão a um serviço prestado por um nobre, tais locais seriam usados como refúgio e asilo para criminosos, uma vez que a justiça não podia os alcançar, exceto nos casos de traição.
O sobrenome Coutinho surgiu na referência ao couto de Leomil, no qual os primeiros Coutinhos foram senhores. Teriam D. Garcia Rodrigues da Fonseca (também chamado de Garcia Roiz) junto com seu irmão D. Paio Rodrigues (D. Paião Roiz) ajudado o conde D. Henrique da Borgonha na luta contra os mouros, pelos seus serviços D. Garcia Rodrigues da Fonseca recebeu a honra de Fonseca e o couto de Leomil, que passaria para seu filho D. Egas Garcia da Fonseca, os filhos deste adotariam o apelido Coutinho, por causa da pequena extensão do couto de Leomil.
Muitos nobres portugueses descendiam dos senhores de Leomil, dentre estes se pode destacar o lendário D. Álvaro Gonçalves Coutinho, chamado de o Magriço, cujas aventuras são narradas pelo grande poeta Luís Vaz de Camões. D. Álvaro Gonçalves Coutinho foi um dos Doze de Inglaterra, cavaleiros andantes portugueses que teriam ido a Inglaterra defender a honra de doze donzelas inglesas, segundo a lenda, D. Álvaro Gonçalves Coutinho desembarcou na Grã-Bretanha e seguiu a cavalo até o duelo, para conhecer os costumes e as manhas dos cavaleiros daquelas terras, enquanto seus companheiros seguiram de barco até seu destino, porém ao chegarem lá, D. Álvaro ainda não havia chegado, mas no ultimo instante ele apareceu e venceu os cavaleiros ingleses que haviam ido contra a honra das doze damas.
No Brasil destaca-se Vasco Fernandes Coutinho que recebeu do rei D. João III a Capitania do Espírito Santo pelos serviços prestados ao reino em campanhas na África e na Índia. O premio lhe serviria de castigo uma vez que a conquista das terras capixabas se mostrou muito difícil. Mais tarde Francisco de Aguiar Coutinho venceria os holandeses que eram comandados pelo grande almirante Pieter Pieterszoon Heyn.
O ultimo donatário da família Coutinho foi Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho que passaria a Capitania do Espírito Santo (que por quase um século e meio pertenceu a família) ao fidalgo baiano Francisco Gil de Araújo em 1674.
Fradique Coutinho neto de Vasco Fernandes Coutinho foi um bandeirante que ajudou na expansão das fronteiras brasileiras, participando da conquista de Guaíra no Paraná. Descenderia de Vasco Fernandes Coutinho a família Azeredo Coutinho e estaria associada a ele a família Câmara Coutinho, grandes senhores de terra do Brasil colonial.
Acima o brasão dos Coutinho de Portugal, de ouro com cinco estrelas de cinco raios em vermelho, ao lado o brasão do capitão Manuel de Azeredo Coutinho Messeder. Pertenceu a família Azeredo Coutinho o barão Sebastião da Cunha de Azeredo Coutinho, primeiro e único barão de Azeredo Coutinho nos tempos do Império do Brasil.

Brasão da Família Azeredo

O nome Azeredo vem do nome de uma cerejeira nativa da Península Ibérica chamada azereiro em português e acereiro em galego, logo Azeredo era um lugar com muitos azereiros.
A família Azeredo descende da família Araújo da Galícia, o sobrenome teria passado a Portugal por Vasco Rodrigues de Araújo, que tomou o nome da Torre de Azeredo, na Galícia, onde era senhor. Seu filho Rodrigo Vasques de Azeredo foi capitão nos reinados de D. Afonso V e D. João II.
O brasão da família Azeredo portuguesa é em azul com dez ou oito bastões de ouro em contrabanda.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Brasão da Família Cunha

O sobrenome Cunha é mais antigo que o Reino de Portugal, ele teria surgido entre os séculos XII e XIII nos reinos de Leão e Castela, na região que depois se tornaria Portugal e coleciona várias possíveis origens para o apelido.
Os antepassados da família Cunha teriam vindo da Gasconha, uma região no sudoeste da França, e viria de Gasconha o nome Cunha. 
Um cavaleiro gascão chamado D. Guterres acompanhou o conde D. Henrique da Borgonha para ajudar o rei Afonso VI de Leão a conquistar o Reino da Galiza.
D. Guterres foi o pai de D. Paio Guterres da Cunha, do qual decorrem outras origens para o apelido Cunha. Teria D. Paio Guterres da Cunha, juntamente com o primeiro rei português D. Afonso Henriques, participado da tomada de Lisboa em 1147, e usando cunhas de ferro ele conseguiu quebrar a porta da cidade, outros dizem que ele conseguiu romper a porta que estava segura com cunhas de ferro, e ainda outra versão diz que D. Paio Guterres da Cunha usou cunhas para manter a bandeira do rei português de pé sobre uma das torres conquistadas, a bandeira já quase estava caindo por causa do vento, foi quando D. Paio enfrentou uma chuva de flechas para manter o estandarte erguido, nesse momento que o rei gritou "A cunha, a cunha!", dai viria o apelido.
O primeiro filho de D. Paio Guterres da Cunha chamado de Fernão Pais da Cunha foi o fundador da Quinta de Cunha-a-Velha, próxima a Guimarães, há quem diga que foi daí que veio o sobrenome Cunha, a Quinta de Cunha-a-Velha pode ter recebido tal apelido por causa das montanhas em forma de cunha que existem próximas a ela.
O brasão mais comum dos Cunhas encontra-se acima, com um campo de ouro com nove cunhas azuis, o timbre é um grifo de ouro com asas azuis, sendo que a parte de ouro coberta com cunhas azuis e as asas com cunhas de ouro. Abaixo outros brasões da família Cunha.

Brasão da Família Neves

O sobrenome Neves é de origem religiosa, surgindo a partir do costume medieval de apelidar os nascidos no dia de Nossa Senhora das Neves (cinco de agosto) ou os devotos dela com a alcunha “das Neves”, tal costume partia da crença que a pessoa que levasse o nome do santo do dia em que nasce receberia sua proteção por toda vida.
Nossa Senhora das Neves, também chamada de Santa Maria Maior, ganhou o título de “das Neves” por causa de uma antiga lenda romana que dizia que no ano 352 um casal que não tinha filhos resolveu dedicar sua fortuna a Santa Maria, que lhes apareceu em sonho no dia 5 de agosto, dizendo que eles deviam construir um templo no monte que amanhecesse nevado, o que seria impossível, já que os meses mais quentes em Roma são julho e agosto, porém miraculosamente o monte Esquilino amanheceu coberto de neve, indicando que ali deveria ser erguida uma igreja. O templo foi chamado de Basílica Liberiana, em homenagem ao papa Libério que teve a mesma visão que o casal, mais tarde seria chamada de Basílica de Santa Maria Maior.
A lenda de Nossa Senhora das Neves se tornou muito popular entre os séculos XIV e XV e a Basílica de Santa Maria Maior foi colocada entre as sete igrejas de peregrinação de Roma, já que abriga a manjedoura onde teria sido colocado o Menino Jesus após seu nascimento, o que só alimentou a popularidade do nome Neves, que foi colocado em várias regiões em Portugal e Espanha.
Acima o brasão da família Neves portuguesa, em azul com dois patos de prata.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Brasão da Família Mota

O sobrenome Mota (ou Motta) é toponímico, logo as pessoas vindas de um lugar chamado Mota adotaram o apelido, o nome Mota vem das antigas línguas germânicas e significa reduto fortificado, pois era chamado de Mota os lugares onde eram construídas as fortalezas, uma vez que mota também tinha o sentido de monte e era sobre tais montes que eram construídos os castelos.
Existem famílias Mota na Espanha, Itália e Portugal, sendo que os Motas portugueses dizem descender de Rui Gomes de Gondar, que viveu durante o reinado de Afonso II de Portugal, e morou em um lugar chamado Mota no antigo concelho de Gestaço, na atual freguesia da Madalena no concelho de Amarante, ou mais ao norte em Celorico de Basto, onde Rui Gomes de Gondar fundou a Quinta da Motta.
Rui Gomes de Gondar Mota era descendente do cavaleiro D. Mendo de Gundar, que havia vindo de Astúrias para servir o conde Henrique de Borgonha.
O primeiro brasão acima (em verde com cinco flores-de-lis) pertence aos Mottas de Portugal, já o segundo foi dado ao Doutor Jerônimo da Motta pelos seus muitos serviços prestados ao rei D. João III.

Brasão da Família Caldeira

A família Caldeira descende de Gonçalo Rodrigues Caldeira, este teria sido um militar português nomeado capitão pelo rei D. João I.
Gonçalo Rodrigues Caldeira participou da Batalha de Aljubarrota em 1385, no qual o exército português, que era liderado pelo rei D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, de quem Gonçalo Rodrigues Caldeira era muito amigo, junto com os aliados ingleses lutaram contra o exército castelhano. A batalha terminou com a vitória dos portugueses, o rei castelhano D. João de Castela vendo que a batalha estava perdida, ordenou a retirada das tropas que desordenadas foram dizimadas pela cavalaria portuguesa. Gonçalo Rodrigues Caldeira tomou os tesouros que as tropas castelhanas traziam consigo, além de objetos sacros, Gonçalo trouxe uma caldeira de cobre em forma de tacho de aproximadamente um metro e vinte por um metro de altura, no qual os autores dizem que se podia cozinhar até três bois dentro, tal caldeira foi enviada pelo rei D. João I para Real Abadia de Alcobaça e se manteve lá até 1833, quando foi saqueada pela população, já que a abadia tinha sido abandonada durante a Guerra Civil Portuguesa.
Teria Gonçalo recebido o apelido Caldeira por te levantado à imensa caldeira ao ar, o rei D. João I grato pelos serviços de seu capitão pediu que ele adotasse o sobrenome Caldeira.
Há quem diga que o sobrenome Caldeira exista desde antes da batalha de Aljubarrota e estaria relacionado a algum ofício em que as pessoas estavam envolvidas com caldeiras.
O brasão da família Caldeira é em azul com duas flores-de-lis de ouro e com uma banda de prata com três caldeiras negras com as bocas de ouro. O timbre é um braço armado de prata com uma caldeira, ou uma caldeira com uma flor-de-lis no aro, ou também dois braços vestidos de azul segurando uma caldeira.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Brasão da Família Faria

Faria e sua variação Farias surgiram em Portugal e são toponímicos de uma região em Barcelos, pessoas vindas da freguesia de Faria adotaram o nome do lugar como sobrenome.
O nome Faria não tem um significado exato, porém pode vir do árabe e significar "alto, imponente ou bonito", o que se pode ligar ao Castelo de Faria, uma antiga construção no alto de uma elevação que foi ocupada por muçulmanos e depois dominada por cristãos durante a Reconquista Cristã, teria nascido neste lugar o ramo nobre dos Farias. Destes pode-se destacar D. Nuno Gonçalves de Faria, alcaide-mor do Castelo de Faria no reinado de Fernando I de Portugal.
Durante as guerras fernandinas, D. Nuno Gonçalves de Faria junto com seu destacamento saiu de Barcelos para lutar contra as tropas castelhanas que avançavam em direção a Lisboa. Ainda próximo a Barcelos, as tropas comandadas por D. Nuno Gonçalves de Faria caíram e ele foi levado prisioneiro, D. Nuno com medo de que sua vida fosse usada como moeda de troca para a rendição do Castelo de Faria, arquitetou um plano, ele pediu aos castelhanos que o levassem para o castelo e lá convenceria seu filho, D. Gonçalo Nunes, a entregar a fortaleza para as tropas inimigas, porém quando D. Nuno foi colocado diante do Castelo de Faria ele pediu ao filho que resistisse, e se Gonçalo Nunes entregasse o castelo ele seria amaldiçoado, os castelhanos vendo que tinham sido enganados mataram D. Nuno ali mesmo, diante de seu filho e dos habitantes do castelo, o que fez com que eles resistissem bravamente.
O Castelo de Faria não foi tomado, e após o fim da invasão de Castela, Gonçalo Nunes se tornou padre e transformou o castelo em um mosteiro. Gonçalo Nunes também participou da descoberta do caminho marítimo para a Índia, sendo capitão de uma das naus de Vasco da Gama.